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Quinta-feira, Maio 06, 2004

Cheguei...

Falar de amizade é difícil para qualquer um, para mim, mais (depois do que me aconteceu). Tive um grande (grande?) amigo por 12 anos (na verdade não sei ao certo se foi 12 mesmo, mas gosto, me faz lembrar de quando tinha 12 anos, playmobile, ai-ai), como dei a entender, já não somos mais amigos.

Foi uma decisão minha. Quando mais novo, achava incrível ser associado a ele (na minha cabeça era um cara legal, e era mesmo), conheci por um grupo de amigos no fim da adolescência, minha mãe vivia (vive) falando pra eu tomar cuidado com as companhias, assim que soube com quem estava andando, já viu né?

- Você é um irresponsável
- Esse ai só vai te derrubar
- Não faça isso...

Depois foi acostumando, acostumando não, mas deixando que eu caísse do cavalo, mas ainda assim, sempre que ele não estava perto, dizia:

- Meu filho, só você não esta vendo o que todos vêem
- Esse rapaz só te coloca pra trás
- Te coloca em situações de risco
- Pode acabar te matando

Obs: sempre que sua mãe falar alguma coisa do tipo, levante a orelha, deve estar certa!

Com o passar dos anos fui me tornando cada vez mais próximo, tanto, tanto, que me preocupava, vivia lembrando da minha mãe, começou a me incomodar, de verdade, mesmo, todos me ligavam a ele, problema:

1) Nem todos meus amigos gostavam dele
2) A maioria não o suportava
3) Alguns outros eram amigos de um primo dele (esse sim, um delinqüente) mas não gostavam dele
4) E uns outros (poucos, bem verdade) não se incomodavam com sua presença.

Comecei a me dar conta que tinha de dar um fim a este relacionamento, estava ficando cada vez pior, tudo, era minha família, meus amigos (de verdade) e todos que viam nessa relação um problema, mas!? Como eu poderia deixa-lo de lado!? Justo aquele amigo, tão amigo (?), nunca havia me deixado na mão, quando tava triste, tava lá, do meu lado (foi por inúmeras vezes o único que me escutou), alegre? Sempre do meu lado. Já disse. Foi muito difícil.

Hoje, sento em um bar (ou coisa que o valha), sozinho (ou não!), sempre aparece um conhecido perguntando por ele, tanto que minha imagem estava ligada a ele. Isso é ruim , fico um pouco pensativo, triste, não por causa dele, por mim, percebo que, muitos com quem convivi neste 12 anos, não estavam nem ai para mim, acho absurdo, depois de um ano, absurdo alguém vir me pedir um cigarro, absurdo. Amigo não diminui o outro, não tenta matar o outro...

Por 12 anos de tolices! Desculpa mãe, pai, família, amores e amigos do peito!