É sempre assim ou quase sempre, digo...
...É outono e o vento está soprando para fora de Fortaleza, e eu não sei o que estou fazendo aqui, o sol tá sempre batendo nos meus olhos, atravessando a janela, justo quando estou dormindo no sofá, as vezes em que fui te visitar, isso foi justamente quando percebi que não poderia te ter, e olha que eu percebi isso antes de você, fico assim, me sentindo o único idiota, sempre, e descobrir essas coisas dói, sempre doeu.
Tenho algumas visões, você passando de carro, batendo a cinza de um cigarro pela janela (e tu fuma?), esta mesma cinza volta e cai nos seus olhos, você não liga, sorri, e diz algo como "o mundo não me comporta", prefiro não acreditar em você, tu és tão serena em tudo que custa a acreditar, mas devemos lembrar que estamos fora de eixo, e a única coisa que desejo é que leve um pedaço de mim com você, tem outras coisas que desejo também, coisas na qual você e ninguém acreditam, eu adoraria construir algo, mas sabemos que isso nunca vai acontecer, descobrir essas coisas dói, sempre doeu.
Fortaleza é má, tudo diz respeito à superficialidade das pessoas, eu nunca poderei aceitar isso, alguém consegue aceitar? Deixa, essa vai ser a ultima vez que fico assim, vamos ser amigos logo logo, passaremos por isso fácil.
Volto do trabalho pela praia, nem sempre, mas de quando em vez, chove, paro, fico lá, sozinho, é ai que sei, a dor tem um sabor diferente do sal, não estou pensando em você novamente, o outono acaba, o sol bate mais uma vez em meus olhos, escuto um cara gritando em uma melodia "deixa o sol nascer", uma onda passa avisando “o amanhecer vai te levar em segurança para casa”.
Eu nunca estive tão só, tão vivo.

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