O Tarsila (quem foi que disse que é no me só de mulher? A do Amaral?) nem sabia, mas, por algum tempo, estava mais perto que muitas outras, parece. Parece não. É. Melhor. Foi.
Um belo dia passou na sua frente, era laranja (até outro dia, jurava, era vermelha) com branco, mistura não muito clássica de cores, mas ainda assim não tirava os olhos, ficou muito interessado (devia ser as formas, parecia servir a outros propósitos, mas arrojados, talvez), tanto, que falou com Felipe, estava perto na hora, travou-se o seguinte dialogo:
Obs: Felipe tem sotaque do interior de SP, tipo: porta.
T. – Já tinha visto?
F. – Sim, tu? Não?
T. – Não! Nunca! Ainda mais nestas cores, linda!
F. – Ah ê, fala com aquele cara moreno ali, deve saber de alguma coisa, tava com ela ainda agora!
Tarsila foi lá se informar, descobriu quase nada, só a marca, russa, Nài-citäv, Nài-citäv? (lê-se, nhaí-quitchav), precisa dizer que Tarsila logo esqueceu a marca? Na verdade nem sabia pra que queria outra se já tinha uma. Depois foi que entendeu, nem tanto, fazia lembra uma mais antiga que tinha sido dele anos antes, saudade!
Na segunda vez que viu foi em outro lugar, pra você ver, adiantou de nada ir lá, na primeira feira que era aberta na semana. Tava um pouco diferente, achou inclusive que não era a mesma, na dúvida, ficou na dúvida.
A terceira vez foi muito rápida e confusa (assim ele disse), Tarsila tinha acabado de sair do trabalho e deu de cara com ela, como não sabia de nada a respeito ou com quem tava, resolveu deixar nela um bilhete com seu numero, deu em nada.
A quarta e ultima vez foi a pior, Tarsila tava no trabalho, foi na janela fumar, e, lá estava ela, tinha sido pintada (vermelha com preto, um clássico), chamou um amigo e apontou, segue o diálogo:
Obs: o amigo tem sotaque do interior do nordeste, tipo: dinovo.
T. – Quero uma dessa pra mim, dessa não, essa, é essa que eu quero.
A. – Ôche. Pra que? Num já tem um a?
T. – Deu certo não, tive que devolver. Era ótima, mas... Olha essa ai!
A. - Di fato, linda!
Desceu, mas lá chegando, já não estava mais.
Antes de ontem fez uma semana que o pobre do Tarsila corre essa cidade atrás daquela bicicleta e ontem, descobriu que um amigo sabia onde ela tinha estado por algum tempo, tinha sido de um amigo dele antes, soube também que tinha vindo da Rússia com um tal de Sasha (ou será uma tal? Sei lá), que a fabrica fechou e aqui (no Brasil?) só tem essa, Tarsila ta doido até agora atrás de comprar a bicicleta.
Só sabe abrir a boca pra dizer que é uma bicicleta encantadora, vive dizendo pros amigos:
- se fosse minha, colocava o violão e a mochila nas costas (apesar de ser exímio pianista, não ia dar pra levar um nas costas) e ai pedalar por aí, mundo afora.

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